segunda-feira, 2 de junho de 2008
Eu ainda me lembro da época em que eu fechava os olhos e podia ouvir sua risada, ainda lembro dos tremores e da ansiedade pelo encontro dos olhares. Eu posso ver a minha mão estendida, apertando a sua na rodoviària e ainda não entendo as lágrimas quando tentei ir embora da sua casa. Eu te dei liberdade pra escolher seu caminho, juntei toda felicidade que tinha, coloquei em uma caixa de presente e te entreguei. Alí dentro estava o que eu tinha de mais precioso, mas você me devolveu sem nem ao menos abrir o pacote. E eu fiz um laço bonito, caprichado e você nem se deu o trabalho de ter cuidado, a maior parte do meu coração estava la dentro, toda minha felicidade e planos acumulados pro futuro também. Agora eu fiz um novo presente e entreguei pra mim, em minhas próprias mãos para não correr o risco de ter que revirar novamente a cidade inteira atrás dos meus sonhos. No meu novo pacote eu guardei muita felicidade, algumas pessoas especiais me emprestaram um pouco, e veja só, não estabeleceram prazo de devolução, guardei também muitas risadas e fiz com que ocupassem boa parte do espaço, em um frasco bem pequenininho guardei umas lágrimas que sobraram, não podia joga-las fora, era tudo que me restava da nossa história, lágrimas. Desenhei um sorriso falso e colei no rosto, mas de tanto me ver sorrindo, sorri de verdade, e gostei de sentir a barriga doer e o ar faltar no meio da risada, que voltou a ser alta. Eu ainda ando rebolando, mesmo que não admita, ainda amo sem limite e uso o mesmo perfume, nada mudou, ou quase nada. Eu só aprendi a me reerguer. Agora só me falta aprender a te esquecer.
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