Hoje eu deitei minha cabeça mais uma vez no travesseiro, me culpando por não ter você do meu lado, me fazendo dormir com caricias, com abraços, com palavras doces. Mas sabe o que é melhor em tudo isso? Ter tido uma breve noção de que a culpa não foi apenas minha. Hoje me pergunto, por que você não lutou mais por mim quando eu parti? Por que você não insistiu para que eu mudasse quando eu errei? Por que você evitou tanto me manter do teu lado enquanto eu passava horas chorando, me crucificando por não ter mais você comigo?
Eu só precisava saber que eu não estava completamente errado e que meu amor não era assim tal banal e marginalizado. Isso me deixaria tranqüilo e iria me poupar das humilhações que passei quando implorei por teu perdão, quando me rastejei pelo teu amor, quando desisti de mim, para ter você. Será que fui tão ruim assim a ponto de não merecer uma chance de ver que não estava assim tão errado como você fez parecer? Eu que sempre tentei ser pra você mais do que você pedia.
Quando foi que o amor deixou de bastar? Você poderia ter me poupado das cicatrizes nos joelhos que fiz ao engatinhar pelo teu carinho, pagando pecados que eu sei que cometi, mas que não obtive chance do perdão. Das penitencias que paguei por estar sempre, em minha concepção, errado e ter perdido o homem que eu amei. Das feridas que permiti meu coração abrir, para que a dor me punisse, pelos erros que não pude evitar. E nesse tempo todo eu só precisava que você me pedisse para ficar, que você me pedisse para não te deixar e que eu tentasse mudar, concertar tudo que havia errado e assim tudo ficaria bem.
Mas os meus erros já haviam se tornado desculpas para uma decisão que você já era para ter tomado a tempos, mas foi covarde demais para me dizer. Por isso deixou que eu errasse primeiro, que eu pecasse contra você, para que pudesse usar o meu erro como desculpa para sua fuga. Você apenas não foi homem o suficiente para me dizer, olhando nos meus olhos, que não me amava mais. O que mais machuca não foi você ter deixado de me amar, ou mesmo de querer estar perto de mim. O que mais dói é saber que você preferiu ocultar o que sentia, ocultar que já tinha decidido partir e por covardia, por medo, me fazendo sofrer mais do que era merecido. Mas sabe o que mais me mata? Eu me humilharia, me jogaria aos teus pés mais uma vez, pois o orgulho que tenho de ter sentimentos me alimenta, ter me rastejado me fez Homem. Me faz sentir humano. Você pode dizer o mesmo?
quarta-feira, 25 de março de 2009
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Um comentário:
Há momentos que o nos resta é questionar sobre nossa vida no sentido de pessoas terem ido, sem ao menos, deixar explicação. Todavia, há coisas que devemos apenas deixar de lado, para que, um dia, haja explicação, se é que ela, realmente, existirá. Tem algo no blog sobre isso.
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